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Células-tronco e o Rejuvenescimento Cutâneo Facial

31 de março de 2014

O cirurgião plástico, Dr. Alberto Magno Lott Caldeira(EMPG/85), ex-aluno da Escola Médica de Pós-Graduação da PUC-Rio, explica como as células-tronco têm sido utilizadas no tratamento do envelhecimento cutâneo.

Nos últimos dez anos, uma série de pesquisas foram desenvolvidas visando à utilização das chamadas células estaminais, ou células-tronco, na correção de deformidades e na reversão de processos patológicos, promovendo sua melhora e, até mesmo, sua cura. Objetivando a reversão dessa série de processos fisiológicos, atualmente essas células-tronco podem ser indicadas até mesmo para curar deformidades do músculo cardíaco e têm sido propostas para a correção de uma série de condições relacionadas ao processo de envelhecimento cutâneo, como a reversão ou a regressão de alterações faciais relacionadas a processos degenerativos ou traumáticos.

A utilização de células-tronco é baseada na retirada destas, principalmente do tecido gorduroso. O tecido gorduroso é repleto de células-tronco, chamadas mesenquimais. Uma série de avaliações foi realizada nos últimos anos para avaliar o desempenho das células mesenquimais na reversão do processo de envelhecimento cutâneo facial, com resultados extremamente positivos. Essas células-tronco podem ser introduzidas no tecido subcutâneo do paciente, visando à melhora das condições gerais da pele. Ao serem filtradas, as células mesenquimais promovem uma reversão do envelhecimento, vista de maneira benéfica por dois fatores principais: primeiramente, pelo fato delas serem do próprio paciente, e, em segundo lugar, por promoverem a reversão do processo de envelhecimento cutâneo com um resultado de extrema naturalidade, dissociado de qualquer resultado artificial.

A criopreservação

O principal tecido utilizado para esse processo é o tecido gorduroso abdominal, pleno e muito rico em células-tronco. Esse tecido serve como preenchimento para outras áreas, sobretudo aquelas desprovidas de uma quantidade tão grande de células-tronco. A gordura pode ser utilizada no preenchimento cutâneo ou ainda ser criopreservada, visando à preservação das células-tronco nela presentes. Na criopreservação, é feita uma cultura, uma multiplicação, dessas células-tronco, para que elas possam ser utilizadas nos órgãos-alvo do tratamento. Ou seja, após um preparo dessa gordura é possível reutilizar a célula-tronco no músculo cardíaco, por exemplo, ou em áreas cutâneas que necessitem de reestruturação, seja advinda de um processo de envelhecimento cutâneo acentuado ou de processos traumáticos desestruturantes da pele. O procedimento com células-tronco é relativamente novo e foi precedido por um conjunto de pesquisas e trabalhos de avaliação sistemática que resultam, hoje, em dez anos de reavaliações da atividade.

A cultura das células-tronco

Visando à reutilização das células-tronco, é feita a retirada da gordura, que pode ser feita no consultório ou na clínica, sob anestesia local. Essa gordura é enviada para o laboratório Excellion, único da América Latina com capacidade para extrair e cultivar as células-tronco. As células são colocadas em seringas especiais, onde cada uma contém o número aproximado de um milhão de células-tronco. Em geral, a extração de gordura do paciente produz em torno de dez a trinta seringas, para reutilização dessas por parte dos cirurgiões plásticos, tratando de doenças e alterações da pele.

Depois de cultivadas e definidas as formas de uso, essas células-tronco são reintroduzidas no paciente, como se este se submetesse a um tratamento de preenchimento do órgão afetado. O paciente recebe alta no mesmo dia, dependendo da gravidade da região tratada. Em tratamentos de melhora do tônus facial, o paciente pode voltar às suas atividades no mesmo dia, sem precisar se ausentar de trabalho ou de outros compromissos.

A diferença entre tratamento com células-tronco e enxertos de gordura

A utilização da gordura retirada do corpo do paciente não teve início com a técnica das células-tronco. Ao contrário, o primeiro tratamento corporal que utilizou a gordura lipoaspirada do corpo do paciente foi o enxerto de gordura. Embora nos dois tratamentos seja utilizada a aplicação da substância através de uma seringa, no enxerto de gordura é utilizada uma gordura tratada, enquanto no tratamento com células-tronco, elas são o próprio conteúdo das seringas.

A intenção proposta é injetar esse líquido em regiões que precisem ser aumentadas, reformadas ou onde o envelhecimento da pele gerou rugas e sulcos. Porém, ao tratar o corpo do paciente com células-tronco, a capacidade de regeneração da pele aumenta consideravelmente. Além disso, as células-tronco injetadas no paciente promovem a formação de colágeno de uma forma muito mais rápida e eficiente do que o que ocorre com gordura tratada, aumentando o resultado do tratamento, tanto a curto, como em longo prazo.

A atuação de Dr. Alberto Magno Lott Caldeira

Em parceira com o laboratório Excellion, Dr. Caldeira trata da gordura retirada do paciente e realiza o processo de tratamento com células-tronco. No consultório do Dr. Caldeira, a principal finalidade das células-tronco está no tratamento do envelhecimento cutâneo. Ele aplica as seringas de células-tronco como substituta de líquidos químicos e, com isso, trata de forma mais natural as deformidades e a perda da elasticidade da pele. Segundo Dr. Caldeira, esse tratamento revolucionário veio para derrubar de vez com o mito da “plastificação humana”, gerado pelo excesso de cirurgias e tratamentos, pois “a verdadeira beleza está no respeito à harmonia da pessoa.”

Há 26 anos em exercício da atividade clínico-cirúrgica dentro da cirurgia plástica. Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (1979), seguido de dois anos de Residência em Cirurgia Geral (1980-1981) e três anos de especialização em Cirurgia Plástica no Curso de especialização em Cirurgia Plástica da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, incluída a residência na Clínica Ivo Pitanguy no mesmo período (1982-1984). Bolsista na categoria de aperfeiçoamento pelo CNPq (1982-1984). Grau de Mestre em Medicina (Cirurgia Plástica) pela PUC/RJ (1985), com defesa de tese em 1988.

Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Membro titular da Federação Ibero-Latino Americana de Cirurgia Plástica e da International Confederation for Plastic and Reconstructive Surgery. Full-fellow do International College of Surgeons e da International Society of Aesthetic and Plastic Surgery, além de pertencer a mais de trinta outras sociedades médicas da especialidade e afins. Até o momento, mais de cento e vinte trabalhos científicos publicados em revistas nacionais e internacionais.

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