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“Cyberbullying: você sabe o que seu filho está ‘curtindo’ na internet?” por Andrea Ramal

18 de setembro de 2014

Se a instituição onde uma criança ou um jovem estuda ligasse para os pais alertando que ele agride sistematicamente os colegas, a família ficaria bem preocupada e é provável que procurasse ajuda especializada. Mas será que os pais dariam a mesma importância se tais agressões ocorressem através da web?

Muitos pais ficariam alarmados se entrassem em determinadas redes sociais, frequentadas por seus filhos, e vissem a quantidade e a intensidade das agressões postadas, se não por eles, por seus amigos e conhecidos.

Alguns casos ganham mais repercussão na mídia, mas de forma geral, a hostilidade praticada através da internet aumenta cada vez mais, sobretudo entre adolescentes e jovens, e não só no Brasil.

A internet e as redes sociais revelam sua dupla face: ao mesmo tempo em que constituem espaços de livre expressão, intercâmbio e aprendizagem, oferecem ferramentas para agredir e humilhar, para aqueles que se valem do anonimato e da impunidade, da falta de legislação e da impotência das vítimas.

Muitas vezes as mensagens veiculam um humor corrosivo, contra vítimas de tragédias e acidentes ou contra celebridades. Em outros casos, os agredidos são colegas de turma e até amigos. Talvez os internautas estejam extravasando na web o que Susan Sontag já mencionava no seu ensaio “Sobre a dor dos outros”, de 2003: as imagens de violência tão disseminadas na mídia, em vez de despertar solidariedade, podem acentuar a insensibilidade frente ao sofrimento.

O fato é que, escondido sob identidades falsas, o cyberbullying difunde o que há de pior: racismo, violência contra a mulher, homofobia, preconceito religioso, xenofobia. Mesmo pouco inteligente ou até falso, o conteúdo é compartilhado por muitos, vira meme, rende seguidores. É a agressão como espetáculo.

As formas de cyberbullying são as mais variadas e incluem, por exemplo: postar fotomontagens para envergonhar a vítima; criar perfis falsos com o nome da vítima para fazer confissões sexuais fictícias; fazer votações para escolher “a pessoa mais feia”; violar a intimidade da vítima espalhando suas imagens privadas; compartilhar calúnias para desonrá-la; fazer ameaças e perseguir a vítima provocando a sensação de estar encurralada.

Contra essa corrente, Trisha Prabh, estudante americana de 13 anos, é finalista da Feira de Ciências do Google com o aplicativo “Rethink” (Repense), criado para reduzir o cyberbullying. Dependendo do conteúdo a ser postado, o programa faz a pergunta que muitos pais poderiam fazer aos filhos: “Esta mensagem pode ser ofensiva, você gostaria de repensar antes de publicá-la?” Em teste feito numa escola, as ofensas pela web diminuíram 93%.

Para além de aplicativos automatizados, os pais precisam inventar uma educação apropriada para a cibercultura, colocando limites em práticas que não trazem nada de positivo. As medidas incluem ficar atentos ao comportamento dos filhos nas redes sociais, dar-lhes bons exemplos no uso da internet, protegê-los de agressões e conscientizá-los de que tudo o que fazemos na web tem o mesmo significado, valor e implicações que as atitudes praticadas no mundo real.

Foto: Rede Amazônica/Reprodução

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