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Filmes para conversar com o mundo

23 de julho de 2018

 

A última semana do curso Cinema, Criação e Pensamento promoveu exibição de curtas-metragens e debate com estudantes de cinema.
A exibição de três curtas-metragens deu o tom do encerramento do primeiro semestre do curso Cinema, Criação e Pensamento, do Núcleo de Comunicação Comunitária do Projeto Comunicar, na quinta-feira, 28. Assinadas por estudantes do curso de Cinema da PUC-Rio, as produções serviram como exemplo para os alunos do workshop debaterem e se inspirar para a criação dos filmes que deverão fazer como trabalho final do curso.
Além do Coordenador do Núcleo de Comunicação Comunitária do Projeto Comunicar da PUC-Rio e do curso, professor Ney Costa, o encontro teve a presença do Coordenador do Projeto Comunicar, professor Miguel Pereira. Também estiveram presentes os diretores Thais Galdeano, Victória Zanardi e João Victor Braga, que conversaram sobre as produções com os alunos do curso comunitário.
Estudante de Cinema da PUC, Victória Zanardi apresentou o curta O Mundo Fora Daqui Não Tem Cor, sobre os artistas que trabalham no Museu de Imagens do Inconsciente, no Instituto Municipal Nise da Silveira, em Engenho de Dentro. João Victor Braga exibiu o Fantasma, que aborda o abandono que ele sentiu com o fechamento das locadoras de filmes.
Já Thais Galdeano dirigiu o curta Morador, que mostra uma nova perspectiva da Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ela contou que buscou os expoentes da cultura e da educação do local e tentou fugir do estereótipo do bairro como um lugar violento. Para Thais, é importante mostrar para os alunos do curso que há oportunidades.
– Eu sou da Cidade de Deus, então, é uma arte minha que, às vezes, não tem um espaço para ser mostrada. Eu achei na PUC o espaço para mostrar essa parte artística da Cidade de Deus, para mostrar que há muita coisa além de violência. Eu estou na transição entre o jovem da Cidade de Deus, que está buscando fazer cinema, e alguém que já chegou a um bom lugar. Acho que sou um exemplo para esses jovens verem que você pode conseguir um bom espaço.
Antes de exibir os curtas, Costa ressaltou a importância do professor Miguel Pereira na criação do curso e na escolha do Centro Loyola de Fé e Cultura como ponto de encontro da disciplina. Pereira lembrou que o cinema entrou na vida dele há mais de 50 anos e destacou que a evolução do curso e o formato que ele adquiriu ao longo do tempo devem-se aos alunos.
– O cinema é algo que transcende a vida e produz vida. Para mim, o curso é um momento para todos nós de autorreflexão, de nos entendermos como gente no mundo em que vivemos. Ele é criação e pensamento. Nosso papel aqui como professor é facilitar o desenvolvimento dos nossos alunos. E esse é o papel fundamental do que chamamos de professor.
O curso Cinema, Criação e Pensamento da Comunicação Comunitária foi criado em 2011 e é voltado para alunos de comunidades e áreas periféricas. Nesse tempo, mais de 200 alunos já se formaram e foram produzidos 12 filmes documentários com diferentes temáticas, como camelôs e moda nas comunidades, e alguns já chegaram a ganhar prêmios ou passaram por festivais.
Gabriel Linhares, de 26 anos, mora no Morro de São Carlos, no Estácio, e cursa Pedagogia na Universidade Veiga de Almeida. Para ele, o pensamento filosófico ensinado nas aulas ajuda a identificar as próprias questões sociais e transformá-las em arte. Linhares contou que teve vontade de fazer o curso para aprender novas formas de educar.
– O meu interesse é usar o conhecimento adquirido como uma forma de saída pedagógica. Quero poder educar as pessoas através dessa ferramenta artística, e ajudar as crianças e os adultos que estão perdidos no mundo.
Estudante de Publicidade na Universidade Estácio de Sá, Ygor Pinheiro, de 18 anos, disse que o foco no pensamento cinematográfico e na história do cinema brasileiro é o que mais chama atenção no curso. Para ele, essas referências servem para ajudar os alunos a pensar em como fazer os próprios projetos. Apesar de estar encantado com as aulas, ele revelou que não sabia o que esperar do curso.
– Eu vim no primeiro dia de aula para saber como seria e já fiquei apaixonado porque o professor era o Ney. Ele entende muito de cinema, principalmente da história do cinema brasileiro. Vi que tinha mais teoria e eu realmente estava atrás disso. Eu já fiz outros cursos de cinema que eram voltados para a prática, e eu queria mesmo mais teoria.
Na terça-feira, 26, ocorreu uma aula com o ex-aluno Matheus Paz, que contou sobre a experiência no meio do audiovisual e exibiu alguns curtas-metragens feitos na sua produtora comunitária CDD em Cena. O professor Ney Costa destacou a importância de as pessoas aprenderem sobre o cinema, mesmo que não queiram se tornar realizadores de audiovisual.
Costa afirmou que o maior objetivo das aulas é passar para os alunos informações que façam com que eles conheçam e saibam o exercício e a história do audiovisual. Ele ressaltou o sucesso do curso e que hoje há alunos que vêm de lugares distantes da Gávea, como Itaboraí e Santa Cruz.
— Acho que o curso, modestamente, tem a pretensão de dar a informação, se as pessoas vão seguir como realizadores ou como técnicos, isso é uma decisão de cada um. Mas a ideia é de que essa informação sirva para olhar o mundo, conversar com o mundo, com o outro, e nesse movimento melhorar sempre.
Matheus Paz veio de Salvador para o Rio de Janeiro para tentar fazer um mestrado em cinema e foi morar na Cidade de Deus com uma tia. Ele é ator, cineasta e publicitário, trabalhou em diferentes lugares e começou a se envolver com audiovisual e teatro até criar a produtora CDD em Cena. Convidado para dar uma aula, Paz lembrou os tempos em que foi aluno do curso e comentou sobre a diferença que as aulas fizeram para sua vida pessoal e profissional.
— Eu acho que foi fundamental estar aqui, conhecer o Ney, conhecer o Flávio e aplicar essa dinâmica deles dentro do CDD em Cena. Eu lembro que o Ney falou da importância de se levar o cinema para a comunidade, que ele acredita que o cinema é algo transformador, e você poder mostrar que é também uma forma de buscar emprego e renda, porque, em uma comunidade, é isso o que falta.
Fonte: Jornal da PUC – 03/07/2018

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