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O mundo ainda ama a realeza e os contos de fadas

11 de maio de 2015

*Andrea Ramal

O casamento de Kate Middleton e o príncipe William, em 2011, foi um dos assuntos mais comentados daquele ano. Agora acontece o mesmo no nascimento da pequena princesa, que ganhou nesta segunda (4) o nome de Charlotte Elizabeth Diana.

Se por um lado nossa sociedade é pós-moderna, por outro, sente estranho fascínio pelos eventos da realeza.

Isso acontece porque ainda nos encantamos com os contos de fadas. Não é à toa que o filme “Cinderela”, da Disney, já é uma das maiores bilheterias de 2015.

O que isso tem a ver com educação? Tanto na escola como em casa, os educadores podem ajudar as crianças a desvendar o que essas histórias dizem sobre nossos papéis na sociedade e relacionamentos.

Nos contos de fadas, o príncipe surge para resgatar a mulher de uma situação difícil, levando-a para uma vida de sonho. Esse príncipe é um homem perfeito, que garante um futuro em que ambos serão “felizes para sempre”.

No caso de algumas mulheres, a visão do relacionamento afetivo é tão idealizada que se torna um “complexo de Cinderela”, ou seja: ela só será feliz se encontrar o verdadeiro “príncipe”. Ora, tais mulheres correm sério risco de nunca estar satisfeitas com o parceiro.

Essas histórias precisam ser debatidas à luz dos valores de hoje, ajudando a criança a pensar sobre si mesma: eu me identifico com essa princesa do conto de fadas? Em que aspectos sim, em quais não? Existe uma vida que é somente sonho e fantasia?

A visão da mulher que espera pelo príncipe é bastante contraditória quando pensamos na mulher de hoje, tão presente no mercado de trabalho e na sociedade em geral. Muitas são líderes de equipes, sustentam as próprias famílias, vivem sem depender do companheiro – o que é saudável no modelo de relacionamento contemporâneo, em que os parceiros buscam compartilhar a vida com equilíbrio e harmonia.

Essas histórias também colocam certa pressão sobre o papel masculino: há que ser perfeito, em vez de se transformar no sapo. Muitos homens acabam idealizando a figura da mulher, sobretudo quando pensam na “princesa”, a menina “para casar”. Tais projeções de ambos os lados precisam ser problematizadas desde cedo, para evitar expectativas, frustrações e, quem sabe, até certo sofrimento desnecessário.

Imagens: Princesa real (John Stillwell/AP); Príncipe William e Kate Middleton um ano depois de casados, em maio de 2012 (Reuters); e cena do filme “Cinderela” (Divulgação).

*Andrea Ramal é doutora em educação pela PUC-Rio e presidente da associação de antigos alunos da mesma instituição. O artigo foi publicado originalmente em seu blog no G1.

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