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O papel de pais e professores quando acontece uma tragédia

Explicar às crianças uma fatalidade como a que aconteceu com o avião da Chapecoense é um dos momentos mais difíceis para pais e professores. Se assimilar uma tragédia já é complicado para os adultos, quanto mais para quem está no começo da vida. Não é possível proteger as crianças do medo e da dor, mas podemos, sim, ajudá-las a processar esses sentimentos da maneira mais sadia possível.
Até os quatro ou cinco anos de idade, em geral as crianças ainda não têm consciência plena do que é a morte. Ainda assim, não é recomendado mentir, dizendo que as pessoas vão voltar, ou algo nessa linha. Mais vale dar respostas simples como “foram para um lugar melhor”, ou coisas assim, compatíveis com as crenças religiosas da família. Pode-se educar aos poucos por meio de exemplos da natureza: mostrar que as sementes crescem e se tornam plantas, mas um dia morrem, e tudo se recicla com novas funções no ecossistema.
Crianças a partir de idades entre seis a oito têm uma consciência maior e, nesse caso, não será possível evitar o sofrimento; mas é preciso tranquilizá-las, com paciência, sensibilidade e carinho. Cada criança viverá essa dor do seu jeito. O papel de pais e professores é fundamental para animá-las e aqui você encontra algumas orientações.
1 – Estimule a criança a expressar seus sentimentos. Quando é difícil encontrar palavras, vale também desenhar. Nos atentados de novembro de 2015 na França, por exemplo, uma senhora de um bairro de Paris convidou as crianças à sua casa para desenhar suas emoções. Nas imagens que criaram, lemos frases como “Temos que batalhar”, “Não mais mortes”; vemos corações despedaçados e também palavras de paz.
2 – Garanta que haverá tempo, na sala de aula, para falar sobre os eventos. No caso do acidente com a Chapecoense, muitas das vítimas eram ídolos. Não há como continuar com a matéria como se nada tivesse acontecido. A escola pode ser um ambiente bem confortável para tirar dúvidas, compartilhar sentimentos e expectativas. As crianças costumam ficar mais à vontade para fazer isso com seus professores, do que com um especialista que não conhecem.
3 – Tranquilize as crianças quanto à própria segurança. É natural que elas fiquem preocupadas com a possibilidade de algo semelhante acontecer com elas ou suas famílias. No caso de acidentes de avião, por exemplo, vale reforçar que são eventos extremamente raros, pois as companhias cuidam de todos os detalhes de segurança com treinamentos e manutenções preventivas.
4 – Reforce as coisas boas que aconteceram, na vida das pessoas, antes de sua morte. Por exemplo, os jogadores do Chapecoense comemoraram grandes conquistas. Podemos mostrar às crianças que aqueles que morrem continuam vivendo nos corações de quem ficou – como tão bem expressou a emocionante homenagem prestada pelos colombianos no estádio do Atlético Nacional.
5 – Retome a rotina, para estimular a capacidade de recuperação, e também porque seguir o curso das atividades normais é bem reconfortante para as crianças.
6 – Se perceber que há necessidade, procure um especialista. Alguns sinais de transtorno pós-traumático são: pesadelos constantes com o evento em questão, dificuldade de dormir, recriação das tragédias em contextos de brincadeiras, fazer xixi na cama com frequência, dificuldade de superar a tristeza, apego excessivo aos pais, depressão, dores físicas.
7 – Dê o exemplo. As crianças podem aprender a lidar melhor com as dificuldades se virem nos adultos, que são seus modelos, atitudes e comportamentos positivos. Lembre-se que desenvolver a resiliência é algo tão importante para nossa vida como aprender a ler ou fazer contas.

Fonte: Andrea Ramal para o G1

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