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Refletindo Depois das Eleições com Francisco Ivern, S.J.

23 de novembro de 2018

Antes de continuarmos nossa reflexão sobre as nossas relações com a PUC, isto é, o que, como Antigos Alunos, podemos oferecer à PUC e podemos receber dela, acho que seria apropriada uma breve reflexão sobre as recentes eleições, para complementar os nossos comentários sobre elas, na véspera, antes de elas ocorrerem.

Venceu aquele que desde o começo liderava e que, por bem pouco, quase se elegeu no primeiro turno. Como o outro finalista, o vencido, era o representante do PT, muitos atribuem a sua derrota ao fato do Lula estar preso e às acusações que foram levantadas contra o PT, sem querer julgar agora o mérito, a verdade ou falsidade dessas acusações. Como já apontávamos no nosso comentário anterior, o importante era julgar os candidatos de acordo com as suas propostas, para ver se elas respondiam ou não ás necessidades da nosso país e da maioria da sua população. Também sublinhávamos que era importante julgar não apenas o que os candidatos diziam que iriam fazer se eleitos, mas também o modo como esses objetivos seriam alcançados, isto é, os meios que seriam usados para alcança-los.

Como sublinhávamos antes, a vitória do Bolsonaro era esperada, vendo as tendências da maioria dos votantes antes das eleições e reveladas pelas pesquisas que precederam as votações como tais. Um bom número de brasileiros atribuíram essa vitória à corrente ou ao ambiente “anti-petista” que, bem ou mal, precedeu as eleições, e não tanto a eventuais virtudes ou méritos que o candidato vencedor podia ter. Acho que não seria nem justo nem realista negar ao vencedor pelo menos alguns dos méritos por essa vitória. Até alguns dos que votaram contra Bolsonaro, reconhecem que o seu modo de proceder depois de eleito foi melhor do que esperavam. Em todo caso, gostaria de sublinhar aqui uma tendência que essas eleições revelaram e que fatos posteriores parecem confirmar.

A eleição de Bolsonaro e várias das medidas tomadas depois da sua eleição e em preparação para sua posse, incluindo, sobretudo, as escolhas de seus futuros colaboradores, revelam tendências que hoje não são exclusivas do Brasil, mas que também se evidenciam em outros países, particularmente na Europa. Alguns dos principais colaboradores escolhidos até agora para constituir o futuro governo, sobretudo na área económica, ao mesmo tempo que são conhecidos pela seriedade da sua formação e pela sua reconhecida experiência, também são conhecidos pelo seu sólido liberalismo económico, pela sua defesa da iniciativa privada e por serem favoráveis à limitação da intervenção do Estado na vida económica. Temos que reconhecer que hoje em dia em numerosos países há uma interferência excessiva e indevida do Estado na vida económica. Porém, também temos que reconhecer que em países como o Brasil, com uma grande porcentagem da sua população ainda constituída por uma classe trabalhadora que precisa de melhores salários e melhores condições de vida, se o Estado não tomar medidas para proteger essa população, não serão os grandes industriais, nem as grandes empresas que vão fazê-lo. Nem sempre uma maior prosperidade económica que traz alguns inegáveis benefícios para o país e por um bom número dos seus habitantes, beneficia as classes que mais precisam de serem beneficiadas. Por isso é importante que acompanhemos com certo discernimento o desenvolver das políticas do nosso futuro governo, sobretudo na área económica e financeira.

Francisco Ivern, S.J.

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