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Reorganização de escolas em SP não deveria ser baseada só em dados

18 de novembro de 2015

A reestruturação das escolas de São Paulo que prevê o fechamento de 94 unidades pode ser necessária, mas até agora o processo tem sido conduzido de forma desastrada. Nesta segunda, São Paulo completa uma semana com escolas ocupadas contra a medida.

O trabalho de um gestor tem dois lados. O primeiro é “racional”: em cima de metas e indicadores, exige tomadas de decisão que, muitas vezes, não agradam a todos, mas em médio prazo podem se revelar benéficas para a otimização dos recursos. Por isso o bom gestor precisa ter certa frieza para empreender ações que nunca irão agradar a todos.

Por outro lado, há uma dimensão imprescindível, ligada ao lado “humano”. O gestor, sobretudo em determinadas áreas (e a educação é uma delas), lida com pessoas. Isso envolve vidas, sonhos, relações afetivas. No caso de uma escola, laços construídos ao longo de anos.

Para o estudante, a sua escola é uma segunda casa. Os corredores, o pátio, as salas de aula, não são meras estruturas de concreto. Para alunos e professores, são “o seu lugar”, ambientes nos quais viveram histórias, construíram amizades e moldaram parte da personalidade. Símbolos de um tempo que não volta, das emoções da infância e adolescência.

Não é raro que as pessoas se lembrem do “cheiro” da escola, mesmo quando adultos. Esse sentimento aparece retratado em diversas crônicas da literatura brasileira, em que personagens lembram do tempo de escola dizendo: “Ah, se essas paredes falassem”. Quanto de nossas vidas uma escola representa!

Estão envolvidos ainda: planos de curso elaborados pelos professores em função do contexto, dos perfis e do histórico escolar dos estudantes, projetos interdisciplinares aprimorados no corpo docente ao longo de anos de trabalho. No caso das famílias, todos sabemos o que significa mudar de escola, ainda mais de forma não desejada: cuidar da adaptação dos filhos, rever o transporte, estabelecer relações de confiança com a direção e professores.

Por tudo isso, os gestores que vão reestruturar o sistema escolar de São Paulo não deveriam se basear apenas no primeiro critério, o dos indicadores. É claro que redistribuir pessoas em novas instalações pode significar um uso mais racional e eficaz dos recursos, o que é legítimo.

Mas que isso seja feito em diálogo com a comunidade, aos poucos, numa mudança cuidadosamente preparada. Mudanças não podem ser simplesmente comunicadas e que cada um se adapte como puder. Até agora só se conseguiu revolta e indignação. Seria muito digno que o governo de São Paulo se dispusesse a ouvir a comunidade, o entorno no qual cada escola se insere e com quem constrói permanentes interações e pontes, e que encontrasse um modo diferente de conduzir o processo, com o respeito que alunos e professores merecem.

Fonte G1

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