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Seu filho é viciado em internet?

20 de maio de 2015

*Andrea Ramal

Recebi a seguinte consulta de uma mãe, R.D.: “Meus filhos, de 7 e 8 anos, estão viciados em internet. Começou aos poucos: games no final de semana, redes sociais, grupos de Whatsapp. Agora são muitas horas por dia, chegam a passar um fim de semana inteiro jogando”.

A mensagem continua: “Às vezes eu mesma acabo estimulando, chego do trabalho muito cansada e os dois, mais o cachorro, pedindo para brincar. Sem energia para nada, dou um ossinho para o cachorro e libero o tablet para as crianças. No restaurante, eles só ficam quietos se deixo usar o celular. Agora se tornou uma bola de neve: eles estudam pouco, convivem cada vez menos e pediram para sair da aula de futebol”.

O problema vivido por R.D. não é um caso isolado. De fato, o vício em internet é crescente entre crianças e jovens. Uma pesquisa realizada em 2014 por uma organização canadense mostra que 16% dos jovens entre 18 e 25 anos passam mais de quinze horas por dia na web. Estudos realizados em outros países reportam índices similares.

Neste ano, um adolescente chinês cortou a própria mão por desespero ao não conseguir desligar a internet. Na China, são 24 milhões de viciados. Alguns pais chineses afirmam que o vício destruiu as suas famílias. Não é um exagero, pois sabe-se que os efeitos da dependência em internet podem ser tão devastadores psíquica e socialmente como os causados pelo alcoolismo e pelas drogas. Além disso, pode haver complicações como déficit de atenção, hiperatividade ou depressão. Na China, há pelo menos 400 centros especializados nesse atendimento.

Como lidar com isso?

A primeira medida é preventiva: diversificar as atividades da criança, com espaços programados para leitura, esportes, lazer, estudo e deveres de casa.

Segundo: limitar o uso de eletrônicos – uma hora por dia é o suficiente, podendo expandir um pouco nos finais de semana.

Terceiro: dar o exemplo e estimular o convívio em casa, dialogando com os filhos, fazendo as refeições juntos.

Quando o vício já está instalado, a alternativa mais indicada é encaminhar o caso para um acompanhamento de psicólogos ou psiquiatras especializados nessa patologia. Analogamente ao que ocorre nos casos de dependência química, o tratamento pode precisar envolver membros da família.

Teste rápido

Se você responder SIM a pelo menos quatro destas perguntas, existe risco de seu filho estar viciado em internet.

• Seu filho conseguiria ficar sem usar internet por uma semana?

• Quando você pede para desligar os eletrônicos ele costuma reagir de forma negativa ou agressiva?

• Seu filho aceita facilmente trocar uma atividade que envolve internet por outro programa, como sair com a família, brincar, praticar um esporte ou ir ao cinema?

• Conectar-se à internet é a primeira coisa que seu filho faz ao acordar, antes mesmo de tomar café da manhã?

• Ele fala em excesso sobre games, redes sociais e eventos que, na maioria, acontecem apenas dentro da web?

• O tempo que seu filho passa conectado vem aumentando nos últimos 12 meses?

• A internet já foi motivo de brigas na sua casa?

• Quando seu filho vai à casa de amigos, costuma pedir para usar o computador ou a senha da rede wi-fi, ou usa o celular em excesso?

• Em locais em que não é possível usar eletrônicos, você percebe mudança de comportamento, como ansiedade, nervosismo, impaciência, agressividade ou dispersão?

• Nos últimos 12 meses, seu filho deixou de fazer deveres ou estudar para ficar na internet, ou houve alguma queda nas notas por causa da web?

• Nos últimos 12 meses, seu filho pediu para sair de alguma atividade como aulas de esportes ou idiomas, ou programas familiares, e acabou usando esse tempo para ficar na internet?

• Você tem a impressão de que seu filho poderia aproveitar melhor a infância ou a adolescência se a internet não existisse?

*Andrea Ramal é doutora em educação pela PUC-Rio e presidente da associação de antigos alunos da mesma instituição. O artigo foi publicado originalmente em seu blog no G1.


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