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Veja 7 erros a evitar ao escolher a carreira por Andrea Ramal

1 de outubro de 2014

Quando eu estava às vésperas do vestibular, li uma frase de Fernando Sabino que me marcou muito: “Não se escolhe uma profissão, se renuncia a muitas outras”.

Uma pesquisa da Universidade Anhembi Morumbi com alunos do 3º ano do ensino médio em São Paulo mostrou que entre os jovens que já haviam decidido seguir uma profissão, só 46% já tinham mantido algum contato com a carreira escolhida e 27% ainda apresentavam dúvidas sobre o mercado de trabalho.

Todo jovem se depara com o mesmo desafio. Há que escolher, mas como não errar? Partindo da minha própria experiência, registro aqui sete erros que você deveria evitar ao fazer a escolha da carreira.

1 – Escolher uma carreira para não decepcionar os outros. Os pais sempre têm um sonho para os filhos e isso inclui certas profissões. Em uma família em que todos são dentistas poderia parecer uma heresia se um dos filhos desprezasse a herança de consultório, equipamentos e clientes, certo? Errado! Lembre-se que seus pais já trilharam a própria trajetória e agora é a sua vez. Nem eles, nem namorados, nem amigos, ninguém pode fazer você abrir mão do caminho que escolheu. Até porque quem irá exercer a profissão ao longo da vida será você, e não eles.

2 – Escolher a carreira sem levar em conta a opinião da família. Por outro lado, é preciso considerar que a família nos conhece bem. Converse com as pessoas que estão mais próximas: seus pais, seus irmãos. Eles conhecem seus talentos e pontos fortes, desejam o melhor para você e podem ajudar a descobrir profissões interessantes. Não despreze uma carreira só porque seus pais sugeriram ou porque seu irmão também seguiu. Lute pelo seu ideal.

3 – Escolher a carreira sem considerar aspectos financeiros. O que mais importa é seguir a vocação, sem pensar em dinheiro, certo? Apenas em parte. A felicidade é resultado de muitas coisas. Trabalhar no que se gosta é uma delas, mas talvez você também tenha outros desejos, como viajar, morar num lugar agradável, dar qualidade de vida a sua família. Tudo isso, queiramos ou não, depende de condições financeiras. Algumas pessoas vivem reclamando por ganhar mal. Por outro lado, não adianta escolher uma profissão que não tem nada a ver com você, só pela remuneração: você acabará frustrado. Conheço pessoas que fizeram escolhas de vida altruístas e têm trabalhos apaixonantes, muitas vezes de cunho social, e nem sempre com alto retorno monetário. Se você tomou uma decisão e está certo da sua escolha, vá em frente.

4 – Escolher a carreira sem ter um projeto de vida. Muitos jovens se matriculam num curso com base na relação candidato/vaga. Têm o sonho de ser médicos, engenheiros, publicitários... Mas como a relação candidato/vaga é alta, decidem deixar para depois, quando tiverem mais tempo de estudar... Acabam entrando num curso que não queriam e, quando se dão conta, os anos passaram. Para evitar esses desencontros, você pode partir de um projeto de vida com perguntas como: O que eu me vejo fazendo daqui a dez anos? Para isso, o autoconhecimento é importante. Pergunte-se: o que sei fazer bem? Gosto mais de trabalhar sozinho ou em interação com outros? Prefiro trabalhar num escritório, um hospital, uma plataforma de petróleo, uma empresa de tecnologia? Troque ideias com amigos e, se possível, com profissionais de diversas áreas.

5 – Escolher profissões do passado ignorando as tendências do futuro. Não há problema em escolher profissões tradicionais. Aliás, o Brasil precisa deles: médicos, engenheiros, professores. Mas não escolha antes de dar uma olhada nas “profissões do futuro”. Você já ouviu falar, por exemplo, em reflorestador, tele cirurgião, remixer de mídias, designer de upcycling, educomunicador, engenheiro de mobilidade? Essas carreiras podem não existir ainda como curso técnico ou universitário, mas você pode planejar a sua formação e montar seu currículo para chegar nessas especialidades. Leia bastante, é possível que você descubra algo novo e envolvente.

6 – Pensar que a carreira é como um hobby. Confúcio, filósofo chinês, disse: “Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida”. Eu tenho a felicidade de viver isso na prática, pois atuo numa área apaixonante, a educação, e com projetos muito variados e cheios de novidade. Ainda assim, isso não quer dizer (e Confúcio certamente concordaria) que não seja necessário esforço, persistência e muita dedicação. Desconfie de conselhos sobre vocação que dizem que o trabalho ideal é sempre leve e divertido. Isso pode fazer com que você rejeite áreas que são complexas, sem querer. Um curso pode parecer difícil, mas se esse é seu objetivo, valerá a pena lutar por ele. Quando a pessoa gosta do que faz, mesmo as horas de trabalho duro e de sacrifício se transformam num desafio divertido.

7 – Escolher a carreira pensando que é para sempre. Se você tem uma atitude empreendedora e proativa diante da vida, saberá que este momento é uma etapa de uma carreira que se constrói a partir das oportunidades que temos e das decisões que tomamos. Pode ser que você tenha que redirecionar sua carreira uma ou até várias vezes ao longo da vida. Escolha bem agora, mas esteja disposto a se reinventar, sempre que necessário.

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